O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou a Cartilha da Redação do Enem 2026, documento que reúne as regras da prova, os critérios de correção e orientações para os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio. O material também apresenta exemplos de redações bem avaliadas no Enem 2025 e detalha o que é exigido em cada competência.
Na redação, o participante deve produzir um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa. A proposta exige abordagem de tema de ordem social, científica, cultural ou política, com apresentação de ponto de vista, desenvolvimento de argumentos e formulação de proposta de intervenção para o problema discutido.
A redação do Enem vale de zero a 1.000 pontos. Cada uma das cinco competências avaliadas pode render até 200 pontos. A prova integra o exame cujas provas serão em 8 e 15 de novembro, e a nota pode ser usada depois em seleções como o Sisu 2027 deve abrir inscrições em janeiro.
Como funciona a correção da redação do Enem 2026
De acordo com o Inep, cada texto é corrigido de forma independente por, no mínimo, duas pessoas graduadas em Letras ou Linguística. Cada avaliador atribui uma nota entre zero e 200 pontos para cada competência.
A nota final do participante corresponde à média aritmética das notas totais concedidas pelos dois corretores iniciais. A soma das cinco competências pode chegar a 1.000 pontos.
Há discrepância quando as notas diferem em mais de 100 pontos no total ou quando a diferença supera 80 pontos em qualquer competência. Nesses casos, a redação passa por uma terceira correção independente. Se a divergência permanecer, uma banca composta por três avaliadores define a nota final.
Quais são as cinco competências avaliadas
A Competência I analisa o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Entram nessa avaliação aspectos como ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência, uso da crase, construção sintática, escolha vocabular e adequação do registro.
A Competência II verifica se o candidato compreendeu a proposta e desenvolveu o tema dentro da estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Também é considerado o uso de repertório sociocultural pertinente, contextualizado e integrado à argumentação.
A Competência III avalia a seleção, a organização e a interpretação de fatos, opiniões e argumentos. O texto precisa apresentar projeto claro, ideias em sequência lógica e argumentos relacionados ao posicionamento defendido.
A Competência IV observa os mecanismos linguísticos de coesão, incluindo a articulação entre orações, períodos e parágrafos, além do uso de pronomes, advérbios, sinônimos, expressões resumitivas e operadores argumentativos.
A Competência V trata da proposta de intervenção. A solução deve estar relacionada ao tema, dialogar com os argumentos do texto e respeitar os direitos humanos. A cartilha informa que uma proposta completa deve indicar ação, agente responsável, meio de execução, finalidade ou efeito e algum detalhamento.

Cartilha faz alerta sobre repertório de bolso
Entre os destaques da Cartilha da Redação do Enem 2026 está o alerta para o chamado “repertório de bolso”, expressão usada para referências prontas, memorizadas e aplicadas de forma genérica, automática ou forçada, sem conexão efetiva com o tema.
O documento afirma que citar filósofo, obra literária, filme ou dispositivo legal não garante boa avaliação. Para ser produtivo, o repertório precisa ser legítimo, pertinente e contribuir para explicar, sustentar ou aprofundar o argumento.
O Inep recomenda que o participante escolha referências específicas e demonstre de que forma elas ajudam a compreender o problema discutido. Uma citação que poderia ser retirada sem alterar o sentido do parágrafo tende a ter baixa produtividade argumentativa.
O repertório pode vir de conhecimentos escolares, fatos históricos, legislação, obras literárias, filmes, músicas, documentários, notícias, podcasts, palestras e experiências ligadas ao meio sociocultural do participante. A orientação central é estabelecer relação explícita entre a referência, o tema e o ponto de vista defendido.
Planejamento, textos motivadores e argumentação
A cartilha orienta o participante a definir antes de escrever qual posicionamento será defendido e quais argumentos serão usados. O projeto de texto é apresentado como o planejamento que organiza a ordem das ideias e permite clareza na estratégia argumentativa.
Os argumentos podem ser desenvolvidos com exemplos, comparações, definições, analogias, estatísticas, pesquisas, fatos comprováveis, alusões históricas ou referências a especialistas. Cada informação, porém, deve ser explicada e vinculada à tese, evitando repetições, contradições, mudanças abruptas de assunto e lacunas de sentido.
Sobre os textos motivadores, o material indica leitura atenta para identificação da situação-problema e dos diferentes pontos de vista relacionados ao tema. Ao mesmo tempo, orienta que o estudante não limite a redação ao conteúdo da coletânea e não copie trechos da prova, já que linhas compostas integral ou parcialmente por cópias são desconsideradas na contagem do mínimo exigido.
Proposta de intervenção deve ser concreta
A proposta de intervenção precisa indicar ação concreta para enfrentar o problema. A cartilha aponta que afirmações como “faltam investimentos” representam apenas constatação e não bastam para atender ao que é cobrado.
É necessário explicar o que deve ser feito, quem executará a medida, como ela será colocada em prática e qual resultado se pretende alcançar. O agente responsável deve ser compatível com a ação proposta e pode pertencer ao âmbito individual, familiar, comunitário, social, político ou governamental.
O documento também ressalta que a intervenção precisa responder aos problemas efetivamente discutidos no desenvolvimento do texto. Se a redação tratar de duas causas específicas, a solução deve dialogar com essas causas.
Propostas que desrespeitem os direitos humanos recebem nota zero na Competência V. Entre os exemplos citados estão defesa de tortura, mutilação, execução sumária, justiça com as próprias mãos e violência motivada por raça, etnia, gênero, religião, opinião política, condição física, origem geográfica ou situação socioeconômica.
O que pode zerar a redação do Enem 2026
A cartilha lista situações que levam à nota zero, como fuga total ao tema, desobediência ao tipo dissertativo-argumentativo, ausência de texto na Folha de Redação, texto ilegível e produção com até sete linhas manuscritas. Para participantes que utilizam o sistema Braille, o texto insuficiente é caracterizado por até dez linhas.
Também podem anular a redação o uso de impropérios, desenhos, formas propositais de anulação, partes deliberadamente desconectadas do tema, identificação indevida e texto escrito predominantemente ou integralmente em língua estrangeira. Nome, assinatura ou rubrica devem aparecer somente no espaço reservado para identificação.
O título é opcional e não recebe pontuação específica em nenhuma das cinco competências. Quando utilizado, porém, conta como uma linha escrita. A cartilha ainda recomenda letra legível e desaconselha marcas de finalização ou destaques incomuns no título. Se o texto não puder ser compreendido por dois avaliadores independentes devido à ilegibilidade, poderá receber nota zero.
Redações do Enem 2025 aparecem como exemplo
O documento reúne redações de estudantes das cinco regiões do país que obtiveram boas notas no Enem 2025. Naquela edição, o tema foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Os textos vêm acompanhados de comentários sobre repertório, argumentação, coesão, domínio da escrita formal e proposta de intervenção. A análise apresentada pelo Inep destaca planejamento, defesa clara de ponto de vista, uso produtivo de referências socioculturais e intervenções completas.
A cartilha também orienta o estudante a treinar a leitura da frase temática para identificar todos os elementos do recorte proposto. Uma abordagem apenas parcial caracteriza tangenciamento e limita a avaliação da Competência II a, no máximo, 40 pontos, além de afetar as competências III e V.


