Com fim do Auxílio Emergencial, 15 milhões de brasileiros vão voltar para a linha da pobreza

De acordo com um estudo social que foi realizado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, aproximadamente 15 milhões de brasileiros vão voltar para a linha da pobreza com o fim do Auxílio Emergencial. O fim dos pagamentos do benefício emergencial está previsto para o dia 31 de dezembro de 2020, mesma data em que o decreto do estado de calamidade pública no país também chegará ao seu término.

Dados da FGV revelam que a pobreza no Brasil caiu cerca de 23,7% de agosto de 2019 até agosto de 2020. É isso o que indica o estudo que foi realizado pela FGV Social. Em números mais exatos, este é um percentual que representa 15 milhões de pessoas.

Ao que tudo indica, o resultado de diminuição da pobreza no país se deve principalmente aos pagamentos do Auxílio Emergencial. Afinal, o benefício foi criado e concedido pelo Governo Federal como uma das principais medidas econômicas de combate à crise sanitária que se instalou no país e no mundo em função da pandemia do novo coronavírus.

Ou seja, a pandemia de Covid 19 provocou uma crise econômica pela qual as pessoas não esperavam. Mas de certa forma, a reação do governo com medidas como o pagamento do Auxílio Emergencial da Caixa e a liberação do Saque Emergencial do FGTS promoveu uma redução dos números da pobreza, ainda que seja uma situação temporária, uma vez que o benefício já está perto do fim.

Coordenação da FGV repercute números da pesquisa

O coordenador do estudo da FGV Social, Marcelo Neri, declarou que o retorno de 15 milhões de brasileiros para a linha da pobreza é um cenário até menos pessimista do que se esperava anteriormente. Na fala dele: “O Brasil foi o país da América Latina que mais concedeu auxílio financeiro proporcionalmente ao seu PIB (Produto Interno Bruto), mas não era o país que estava em melhores condições de pagamento”.

A principal explicação para a diminuição da pobreza no Brasil neste período de 2019 até aqui está diretamente relacionada com o valor do Auxílio Emergencial. Anteriormente, de 600 reais. Agora, com as novas parcelas de 300 reais cada uma.

A faixa mais pobre da população brasileira tem a renda média de meio salário mínimo, o que dá um valor menor do que os 600 reais que foram pagos no início do benefício emergencial. Agora com as novas parcelas, o valor é menor. Mas o estudo indica que até mesmo a quantia de 300 reais faz diferença no orçamento doméstico destas famílias.

Ainda segundo Marcelo Neri, da FGV: “O país teve generosidade, mas não sabemos se teve sabedoria. Vamos saber daqui 1 ano. Tem a retomada no mercado de trabalho, mas com muitas incertezas para o próximo ano. Ainda não se sabe quando vai sair a vacina ou qual seria o impacto de uma 2ª onda de Covid-19”.

Auxílio Emergencial – Pobreza diminuiu no Norte e Nordeste do Brasil

De todos os estados brasileiros, o estado do Rio Grande do Sul foi o único a registrar um aumento nos números da população pobre. De acordo com o estudo da FGV Social, o Rio Grande do Sul viu a pobreza aumentar em 0,45%. Mas segundo a coordenação do estudo, esse dado isolado não é tão preocupante.

Ainda segundo o levantamento da FGV, as regiões brasileiras que mais viram a pobreza diminuir foram, em primeiro lugar, a região Nordeste e, logo depois, a região Norte. Enquanto a região nordeste diminuiu a pobreza em 30,5%, a região Norte viu a sua população pobre diminuir em 27,5%. Paralelamente a isso, há o fato de que estas duas regiões estão entre as partes do Brasil que mais dependem de subsídios governamentais.

Com o fim do Auxílio Emergencial, a parte da população brasileira que foi assistida pelo benefício emergencial no atual período de pandemia vai ficar ainda mais vulnerável. E diante da crise no mercado de trabalho, é provável que a economia demore algum tempo para se recuperar.

Para tentar amenizar a situação, o Governo Federal está envolvido na criação de um novo programa social. Inicialmente chamado de Renda Brasil, o novo projeto social do governo agora passa a ser chamado de Renda Cidadã. O principal objetivo é substituir o programa Bolsa Família. Mas poucas coisas sobre o novo programa foram definidas até o momento.

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